A sessão foi aberta pelo presidente da ALAP, acadêmico Eliézer Bispo, que realizou a leitura de um trecho das Efemérides Goianas, de Gelmires Reis. Em seguida, foram executados os hinos Nacional Brasileiro e de Santa Luzia.
A palestra foi proferida pelo acadêmico Wilter Campos Coelho, titular da Cadeira nº 4, que abordou a trajetória, a vida e o legado de José Dilermando Meireles, sob o tema:
“José Dilermando Meireles — Sou um apaixonado pela vida, por minha terra e por minha gente.”
Ao iniciar sua apresentação, Wilter Campos Coelho destacou a responsabilidade de falar sobre uma personalidade tão singular. Segundo o acadêmico, a missão lhe trouxe, ao mesmo tempo, alegria e preocupação.
“Falar sobre ele, dando-lhe os justos créditos, sem ser piegas e sem omitir seus grandes méritos, traz alegria e preocupação”, destacou Wilter, ao refletir sobre o desafio de abordar a vida de Dilermando.
O palestrante explicou que, diante da grande quantidade de materiais produzidos pelo homenageado e por outros autores, foi necessário escolher os aspectos que melhor representassem sua contribuição. Embora reconhecendo a enorme relevância de sua carreira jurídica, Wilter priorizou o cidadão apaixonado pela vida, por sua terra e por sua gente.
Nascido em Santa Luzia, hoje Luziânia, em 11 de maio de 1923, José Dilermando Meireles construiu uma trajetória marcada por múltiplas atividades, destacando-se como jurista, escritor, músico, professor e homem público.
Entre os registros apresentados na palestra, estão sua atuação como funcionário da Secretaria de Estado da Fazenda de Goiás, sua formação em Direito, concluída em dezembro de 1954, e sua experiência como professor de Matemática em Luziânia.
Na vida pública, foi vereador de Luziânia entre 1959 e 1962 e presidente da Câmara Municipal nos anos de 1961 e 1962. Também participou da fundação do Clube Recreativo e Cultural de Luziânia, em 1958, foi primeiro presidente da Telefônica Luziânia, em 1964, e fundador e primeiro presidente do Luziânia Esporte Clube.
Na carreira jurídica, ingressou como Defensor Público do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios em 1967. Mais tarde, tornou-se Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios e desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
A palestra destacou especialmente a atuação de Dilermando na preservação da história, das artes e das tradições do Planalto Central.
Em 1976, juntamente com outros intelectuais, fundou a Academia de Letras e Artes do Planalto. A instituição nasceu com o propósito de valorizar e preservar o patrimônio cultural e artístico da região, incluindo sua língua, literatura, artes e tradições.
A preocupação com a preservação da memória de Santa Luzia e das comunidades do Planalto esteve presente em sua produção intelectual. Dilermando compreendeu que o crescimento de Brasília e as transformações da região poderiam ameaçar costumes, tradições e edificações históricas.
Foi nesse contexto que também criou o Centro Cultural José Dilermando Meireles, instalado em um casarão de sua propriedade, que passou a abrigar biblioteca, escola de música, galeria de artes e a sede da Academia.
Entre as obras lembradas durante a palestra está o livro “Deste Planalto Central — O Histórico e o Pitoresco”, publicado em 1978 pela Jorluz Editora.
A obra reúne relatos, histórias e personagens que ajudam a compreender a formação cultural da região. Wilter destacou a importância do livro e o entusiasmo de Dilermando pela mudança da Capital Federal para o Planalto Central.
Também foram lembradas figuras como Joventino Rodrigues, Diogo Machado de Araújo e o conhecido Zé Viola, personagens que aparecem nas narrativas de Dilermando e revelam aspectos da vida social e cultural de Santa Luzia.
Outro destaque foi a publicação, em 1978, do livro “História de Santa Luzia/Luziânia”, organizado por José Dilermando Meireles com a colaboração do confrade Antônio Pimentel.
A obra teve como base os textos publicados no jornal O Planalto, semanário que circulou em Santa Luzia entre 1910 e 1915. A coleção, composta por 185 números, constitui importante fonte para o conhecimento dos primórdios da fundação da cidade e da colonização do Planalto Central.
Ao longo da apresentação, Wilter Campos Coelho ressaltou que a vida e a obra de José Dilermando Meireles merecem reconhecimento e homenagens.
O acadêmico destacou a importância de preservar o trabalho de quem dedicou sua existência à cultura, à história e à memória de sua terra.
A palestra também reforçou o papel da ALAP como espaço de preservação e valorização do patrimônio cultural do Planalto Central, reafirmando o compromisso da instituição com a memória de seus fundadores.
Ao encerrar sua apresentação, Wilter deixou uma mensagem de reconhecimento:
“Obrigado, Dilermando! Você permanece presente. Está aqui neste casarão, em nossa Academia, em nossa Santa Luzia-Luziânia, no Planalto Central, imortalizado pelo seu trabalho.”
Após a palestra, o presidente Eliézer Bispo destacou a importância de tudo o que José Dilermando Meireles realizou por Luziânia e por toda a região. Também elogiou o palestrante, ressaltando a relevância do tema escolhido e a qualidade da pesquisa apresentada.
O acadêmico Jarbas Silva Marques foi o primeiro a se manifestar entre os acadêmicos presentes. Lembrou que Dilermando era um homem ligado à música e às artes. Recordou que, na Academia Goiana de Letras, José Dilermando substituiu Gelmires Reis e contou que participou, em Goiânia, da posse de Dilermando.
Jarbas destacou ainda a amizade e o respeito que mantinha pelo homenageado, mencionando sua dimensão física e cultural. Relatou a coincidência de seu primo Jales ter sido aluno de violino de Dilermando, quando este ministrava aulas em Goiânia. Também lembrou que Dilermando era seresteiro e amante de diversas manifestações artísticas, para além da literatura. O acadêmico recordou, ainda, o Encontro dos Historiadores do Planalto, realizado em Pirenópolis, em 1998, e mencionou a imortal Belkiss Spencieri Carneiro de Mendonça.
Na sequência, o acadêmico Dr. Elísio Morais relatou que, durante o período em que estudava com a filha de Dilermando, em Brasília, teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o escritor. Destacou que José Dilermando era uma pessoa muito organizada e um grande anfitrião.
O acadêmico Dr. Cecílio Sepúlveda parabenizou Wilter Campos Coelho pela palestra e lembrou a Semana Farroupilha, destacando a atuação de Dilermando como incentivador da cultura gaúcha. Também entregou uma fita K7 com arranjos de Belkiss Spencieri Carneiro de Mendonça. Mencionou também iniciativas ligadas à cultura esportiva. Entre elas, a criação, em 17 de abril de 1983, de uma equipe de futebol feminino em Rio Grande, relacionada ao projeto “Loucurinhas do Vovô”. A iniciativa tornou-se tema de dissertação de mestrado e rendeu uma condecoração desportiva. Na ocasião, também foi registrada a chegada da nona coletânea enviada pela Academia Rio-Grandina de Letras.
Dr. Orlando Pinheiro ressaltou a ligação de Dilermando com a arte, a música e a cultura. Recordou uma apresentação de dança folclórica realizada no restaurante Antigamente e enfatizou que o homenageado era um homem preocupado com a preservação cultural. Também mencionou conversa sobre o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que teria demonstrado entusiasmo ao conhecer a Academia.
Durante sua fala, Orlando também lembrou o vinho produzido na região de Pirenópolis, considerado por ele um produto de excelência, além das cachaças produzidas na região.
O acadêmico Dr. Cairo Resende cumprimentou os presentes, especialmente o palestrante Wilter Campos Coelho, e recordou a história do “ônibus maestro”, em referência aos constantes consertos realizados a cada esquina.
O acadêmico Dr. Nei Brito elogiou o professor Wilter Campos Coelho e destacou a importância da palestra. Também lembrou a oportunidade que teve de conhecer José Dilermando Meireles.
O acadêmico Dr. Tiago Machado cumprimentou os presentes, especialmente o confrade Wilter, e afirmou que, embora não tivesse tido a honra de conhecer pessoalmente José Dilermando, a palestra lhe permitiu visualizar mentalmente a figura do homenageado. Tiago também lembrou que, em 28 de agosto de 2026, Jarbas Silva Marques e Eliézer Bispo foram aprovados como sócios correspondentes do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás — IHGG.
Ao longo da sessão, foram tratados outros assuntos relacionados à atuação da ALAP e à valorização da memória cultural. Houve homenagem ao jornalista de Luziânia Eduardo Meirelles, além de referências aos estudos em pintura sobre tela a partir de fotografias, com o objetivo de criar retratos dos acadêmicos. Também foi agradecido o empenho dos envolvidos na confecção da nova revista da ALAP, publicação que reúne a produção dos acadêmicos e contribui para a divulgação da história, da arte e da literatura do Planalto Central.
O acadêmico Graça Veloso lembrou a eleição de José Dilermando Meireles e comentou a compreensão que foi adquirindo sobre a importância do homenageado ao longo do tempo. Recordou ainda que seu pai era um grande contador de causos e agradeceu pela “fala preciosa” do professor Wilter Campos Coelho.
O acadêmico Dr. Divino Sobrinho elogiou o palestrante pela pesquisa realizada para a preparação da palestra. Gastão Leite cumprimentou o presidente Eliézer Bispo e parabenizou Wilter Campos Coelho. Recordou o período em que ambos foram vereadores e destacou a amizade construída ao longo dos anos.
Gastão também lembrou sua convivência com José Dilermando Meireles e a homenagem recebida por ele da Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, na Câmara Municipal de Luziânia. Ressaltou que Dilermando escreveu um artigo sobre a emancipação dos distritos de Luziânia e defendeu a ideia de uma “Luziânia Grande”.
Em sua fala, afirmou que José Dilermando tinha profundo carinho pela cidade, pela cultura e pelas tradições locais. Também destacou a necessidade de preservar o território e demonstrou preocupação com equívocos cometidos em processos eleitorais. Gastão cumprimentou ainda a professora Luiza Ribeiro, presente na sessão, e lembrou sua amizade com Wilter Campos Coelho.
O acadêmico Arley da Cruz destacou a importância da palestra e lembrou a heterocromia de José Dilermando Meireles, além de sua contribuição para a história de Santa Luzia e Luziânia.
Também mencionou os relatos de Joseph de Mello Álvares e a obra de Dilermando sobre a história da cidade. Recordou o episódio relacionado à morte do fundador de Santa Luzia, Antônio Bueno de Azevedo, cujo sepultamento teria ocorrido no antigo cemitério localizado atrás da Igreja de Santa Luzia.
A acadêmica Shirlan Braz, secretária da ALAP, elogiou a palestra do professor Wilter Campos Coelho e destacou a importância de sua trajetória na Academia. Ressaltou o papel de José Dilermando Meireles para a cultura e a história regional.
Shirlan lembrou ainda a história do cajueiro, segundo a qual Dilermando teria vendido cajus para pagar uma prenda de leilão durante a Festa do Divino. O episódio integra as memórias registradas na obra Deste Planalto Central — O Histórico e o Pitoresco.
A acadêmica também parabenizou o presidente Eliézer Bispo e Jarbas Silva Marques pela indicação como sócios correspondentes do IHGG.
Ao final da sessão, o presidente Eliézer Bispo destacou a indicação de Bruno Reis Melo como acadêmico da ALAP e designou uma comissão para analisar o pedido.
Bruno Reis usou da palavra para agradecer a indicação e apresentou detalhes da obra de seu avô, o acadêmico Antônio Reis, e de seu bisavô, Gelmires Reis, reforçando a continuidade das relações familiares com a história literária e cultural de Goiás.
O presidente também lembrou que está marcada para o dia 25 de novembro de 2026, na Câmara Municipal de Luziânia, uma sessão especial em homenagem ao cinquentenário da ALAP, por indicação do acadêmico e vereador Dr. Tiago Machado.
Foi igualmente reforçado que a sessão solene oficial pelo cinquentenário da Academia será realizada no dia 13 de dezembro de 2026.
Após o encerramento da sessão, os presentes se reuniram para um coquetel, em um momento de confraternização e de celebração da memória de José Dilermando Meireles, da trajetória da ALAP e do compromisso dos acadêmicos com a preservação da história, da arte e das tradições do Planalto Central.
A sessão reafirmou o papel da Academia como espaço de encontro, pesquisa, homenagem e valorização da cultura regional, mantendo viva a contribuição de seus fundadores e fortalecendo os vínculos entre as gerações de escritores, artistas, historiadores e agentes culturais de Luziânia e de todo o Planalto Central.
Reportagem Arley da Cruz