Por Arley da Cruz
Luziânia 24 de agosto de 2026
Hoje, Luziânia é uma cidade com cerca de 220 mil habitantes. Uma cidade que cresce, se transforma e olha para o futuro. Mas, quando olhamos para trás, o que encontramos? Como era este lugar antes das ruas, das casas, das praças e de tudo aquilo que hoje reconhecemos como Luziânia? Se pudéssemos ter uma máquina do tempo, talvez essa fosse a nossa primeira viagem.
Mas nós temos outra máquina do tempo: a memória escrita. Estão nos livros, nos documentos, nos jornais e nos relatos de antigos moradores as pistas que nos permitem atravessar os séculos. É por esses caminhos que vamos viajar. E, nesta série, vamos buscar nos escritos de quem viveu, pesquisou e registrou a história de Santa Luzia — a nossa Luziânia — os acontecimentos que ajudaram a formar esta cidade.
Santa Luzia começa a existir na mente de um homem e da luta de várias pessoas. A ambição de Antônio Bueno de Azevedo era a glória. Ele vê o vislumbre da magnificência em 13 de dezembro de 1746, nas calmas margens de um rio pequeno, o Rio Vermelho. Foi ali que o brilho ofuscante do ouro lhe sorriu.
Santa Luzia teve também a sorte de ver nascer em seu próprio território homens dedicados às letras, à história e à preservação da memória. Entre eles está Joseph de Mello Álvares, nascido em Santa Luzia em 1837, autor de uma importante descrição histórica, política e geográfica da antiga Santa Luzia. Seu trabalho, originalmente divulgado também nas páginas do jornal O Planalto, tornou-se uma das fontes para conhecermos os primeiros tempos da comunidade.
E não estamos sozinhos nessa viagem. Ao longo dela, encontraremos outros nomes que ajudaram a preservar a memória do Planalto e de Luziânia, como Gelmires Reis, José Dilermando Meireles e tantos outros. São diferentes olhares, diferentes épocas e diferentes formas de contar uma mesma terra. Como escreveu Dilermando Meireles na apresentação da obra de Joseph de Mello Álvares, era preciso alguém que “premeditasse a coisa e começasse a trabalhar” na preservação do patrimônio histórico e cultural do Planalto.
Então, vamos ligar a nossa máquina do tempo. Nossa viagem começa em 1746. Muito antes da cidade que conhecemos hoje, antes mesmo do nome Luziânia, encontramos o sertão, os caminhos, os rios e uma expedição que avançava pelo interior do Brasil Central. A partir daqui, vamos voltar no tempo, capítulo por capítulo, para descobrir como nasceu Santa Luzia, como seus primeiros habitantes chegaram, o que procuravam e como aquele pequeno núcleo se transformou, ao longo dos séculos, na Luziânia de hoje. A nossa viagem está apenas começando.
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