Morreu Maria Luiza da Silva Oliveira, liderança comunitária, educadora popular e uma das referências na valorização dos saberes tradicionais, da sociobiodiversidade e na defesa do Cerrado.
Reconhecida por décadas de atuação junto a comunidades urbanas e rurais, Maria Luiza também seria homenageada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) com o título de Doutora Honoris Causa, em reconhecimento à sua trajetória e às contribuições para a educação popular, a cultura, a agricultura familiar e a preservação dos conhecimentos tradicionais.
A proposta de concessão do título foi apresentada pelo Câmpus Cora Coralina, na Cidade de Goiás, por meio dos programas de pós-graduação em Geografia (PPGEO) e em Estudos Culturais, Memória e Patrimônio (Promep), em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (Teccer), do Câmpus Central, em Anápolis. A homenagem havia sido aprovada pelo Conselho Universitário da instituição no início de setembro.
Uma vida dedicada ao conhecimento e às comunidades
Formada em Pedagogia e especialista em Supervisão Escolar, Maria Luiza atuou como professora e também como servidora na área da saúde.
Desde 1994, coordenava a Pastoral da Saúde da Diocese de Goiás, trabalho que a aproximou ainda mais das comunidades e dos conhecimentos tradicionais relacionados às plantas medicinais do Cerrado.
Ao longo de sua trajetória, tornou-se conhecida pelos conhecimentos sobre plantas medicinais, alimentação saudável, fitoterapia, geoterapia e práticas integrativas, contribuindo para a preservação e transmissão de saberes construídos e compartilhados entre gerações.
Maria Luiza também esteve à frente da Casa da Agricultura Familiar Dom Tomás Balduíno, na Cidade de Goiás, espaço voltado ao fortalecimento da agricultura familiar, à formação popular e à valorização da sociobiodiversidade.
Sua atuação esteve ligada ainda à proteção das nascentes do Cerrado, à valorização das mulheres e ao fortalecimento das comunidades camponesas.
Um legado que permanece
A homenagem de Doutora Honoris Causa ganhava significado especial diante de uma trajetória construída fora dos espaços acadêmicos tradicionais, mas profundamente ligada à produção e à transmissão de conhecimentos.
Maria Luiza dedicou parte de sua vida a aproximar conhecimento, território, saúde, natureza e comunidade, defendendo que os saberes presentes nas comunidades também constituem patrimônio cultural e fonte de conhecimento.
Sua morte deixa uma lacuna entre aqueles que conviveram com seu trabalho, mas também um legado marcado pela educação popular, pela defesa do Cerrado e pelo respeito aos conhecimentos tradicionais.
A homenagem que receberia da UEG permanece, assim, como reconhecimento de uma trajetória que ultrapassou os limites da sala de aula e alcançou comunidades, agricultores, mulheres, agentes populares e defensores da natureza.
Maria Luiza da Silva Oliveira deixa sua contribuição registrada na memória daqueles que aprenderam com sua experiência, seus ensinamentos e sua dedicação às pessoas e ao Cerrado.
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