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quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Luziânia, 278 anos e a nossa pressa de cada dia

Chegou o grande dia, novamente. São 278 deles. A cidade de Luziânia comemora seu aniversário neste 13 de dezembro, e nós, que habitamos aqui, giramos cada volta do relógio com ela. É a nossa cidade. E como é natural para quem ama, queremos vê-la melhor a cada instante. É mais que sonho; é desejo e propósito. Mas e a realidade? A realidade é que avançamos. Talvez não tão rapidamente quanto gostaríamos, mas avançamos. Basta parar, olhar e reconhecer.

Claro, os caminhos nem sempre são fáceis. Ficamos inseguros com as incertezas, apreensivos com o novo. Vivemos em uma sociedade que exige pressa, imediatismo, resultados. E nós, imersos nesse ritmo, aceleramos o carro, o passo, o áudio, o vídeo. A cidade, no entanto, segue seu compasso, mais lento, mas constante. Afinal, Luziânia atravessou séculos e milênios. Já imaginou como era aquele ano de 1746? Um ano comum do século XVIII, que se iniciou e terminou em um sábado. Naquele tempo, a Bandeira de Bueno de Azevedo chegava por aqui, vinda de Paracatu. Era o começo de uma história que se desdobraria em tramas ricas e inconfundíveis.

Há tanto para recordar! Enquanto no Brasil desembarcavam os colonos açorianos, em Luziânia, ou melhor, no arraial de Santa Luzia, as pessoas se maravilhavam com cada pequena conquista. Imagine, uma dúzia de casas e sonhos sendo construídos. Hoje, com quase 100 bairros e mais de 200 mil habitantes, na Luziânia tradicional, Jardim Ingá e nas regiões rurais, trazemos na bagagem cultural influências de todos os estados brasileiros e, até mesmo, de outros países. Essa diversidade é um dos nossos maiores tesouros, mas também nos torna mais exigentes, mais impacientes.

Queremos avanços imediatos na educação, na saúde, no transporte, no emprego. Queremos bairros revitalizados, tecnologias inovadoras, um futuro que nos alcance hoje. Mas as mudanças reais demandam tempo, planejamento e paciência — virtudes que, às vezes, deixamos de lado na pressa cotidiana.

Luziânia tem potencial para ser modelo. Sob a liderança de Diego Sorgatto, que recebeu expressivos 72.478 votos, seguimos confiantes de que o futuro reserva grandes conquistas até o alvorecer de 2029. O tempo dirá quais caminhos trilhará a gestão pública. Temos um legislativo atuante e um judiciário atento. A cidade está pronta para avançar, mas cada passo deve ser dado no momento certo.

Enquanto isso, que tal apreciar o presente? Olhemos para as coisas belas, para as pessoas que tornam a cidade viva, para os lugares ainda não descobertos. Conheçamos mais sobre a rica história de Luziânia, suas tradições e seus personagens, que, aqui ou além, deixaram um legado de amor. Façamos do nosso tempo algo eficaz, leve e verdadeiro. Assim, construiremos um ciclo em que será possível caminhar com a serenidade necessária para sermos felizes e para celebrarmos, mais uma vez, o lugar que chamamos de lar.

Arley da Cruz - 13.12.2024

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Crônica do Dia - Fechamento


Estamos no final de mais um ano. Quantas coisas vividas! Tiveram as coisas que valeram a pena e aquelas que não gostamos de lembrar. Mesmo assim, tudo tem seu valor. Escrever sobre o cotidiano da vida é interessante, mesmo que ninguém leia, mesmo que poucos entendam e mesmo que seja chato ou difícil encontrar assuntos e as palavras certas, mesmo assim escrevo.

Parece que o ato de escrever desperta em nós uma certa vontade de fazer, de realizar as coisas. Nota-se que poucas pessoas escrevem. Vivemos em tempos de áudios. Sinto um pouco a falta da escrita. Anteriormente, escrevíamos mais. Era muito bom receber uma carta de alguém. Dos parentes ou das poucas pretendentes. Quando tinha uma carta em casa, com o meu nome no destinatário, me alegrava demais. As cartas de hoje em dia são aquelas indesejadas, sabe, as dívidas que eu já sei que tenho e que não precisava de carta de aviso, tais cartas não aprecio, que fique registrado.

Em tempos da moderna comunicação, as pessoas se contentam em ouvir. Sou um entusiasta da tecnologia, mas me apego também às tecnologias do passado. Quanto tempo faz que você não conversa ao telefone? Parece que os áudios do WhatsApp substituíram rápido demais as conversas. E quando os áudios veem cheios de informação ou de raiva? Repassamos um milhão de vezes até entender! Mas existe uma coisa boa: o registro da voz. Em uma ligação por telefone, não havia maneira fácil de gravar aquela voz. Hoje é ótimo poder ouvir a voz e guardar o áudio para poder ouvir novamente. Sugiro que faça isso com as vozes mais importantes da sua vida. Gostaria de ter um áudio de minha mãe, meu pai e tantas pessoas importantes da minha vida que não estão mais por aqui.

Quantos áudios você recebeu neste ano de 2023? E quantos você também enviou? Certamente vale o registro! Sobre quais assuntos você falou, brincou ou brigou? Algumas conversas devem ficar lá no passado, esquecidas para sempre. Outras valem a pena manter, guardar e rememorar. Isso é viver, é assim mesmo. Existem coisas que valem a pena lembrar e guardar e outras que devemos descartar.

Vivemos esperando dias melhores, já disse o poeta. Vivemos esperando. Assim os dias passarão, disse outro poeta. A certeza é de que virá, só não sabemos o que será. Que cada nova oportunidade de vida seja aproveitada da melhor maneira. Pode ser com muito trabalho, com um merecido descanso, com as merecidas férias, com uma internação breve no hospital etc. A certeza é de que os próximos dias virão. Não serão somente bons momentos, haverão dificuldades pelas veredas do tempo, disse um poeta. Fechamos um ano para abrir um inteiramente novo.


Arley da Cruz - 28.12.2023


terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Crônica do Dia - Luziânia 277 anos; cidade do futuro


    


A comemoração de mais um ano da cidade de Luziânia é um acontecimento a ser celebrado. Celebrar a cidade e as pessoas. Celebrar as tradições. Celebrar a nossa história, o presente e o futuro. Então existe justificativa para celebrar! São 277 anos de história. Do arraial de Santa Luzia no longínquo 1746 até a duo centenária Luziânia dos nossos tempos. Quanta água passou por baixo (e por cima, muitas vezes) das pontes de Luziânia. 

São inumeráveis as histórias de pessoas que chegaram, nasceram, viveram e morreram por aqui. Houveram tempos alegres e tempos terríveis. Boas e fecundas histórias de vida, mas também histórias de tragédias infames que preenchem as páginas dos diários luzianienses. Assim se fazem os milhares de dias de uma cidade histórica.

Na tentativa de trazer uma homenagem à nossa querida cidade de Luziânia, muitas vezes me esbarro em relatos tão chocantes, de tantas coisas ruins que já foram escritas e que preenchem as páginas do tempo que fica difícil escolher em qual deveria me atentar. Desta feita prefiro não buscar os fatos passados, mas realizar uma tarefa de previsão dos tempos, daqueles dias que ainda virão sobre a cidade e em consequência sobre nós que talvez aqui estejamos presentes.

Mas é realmente difícil realizar uma previsão. Tentemos. A cidade de Luziânia possui enorme potencial de progresso. São mais de 211.000 habitantes em nossa cidade. Uma cidade com um território imenso e crescimento exponencial. Olhando diretamente para o futuro próximo, Luziânia poderá ser uma referência na área de educação. De acordo com o Censo INEP 2022, são quase 36.000 alunos matriculados nas escolas e colégios do município. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) nos anos iniciais em Luziânia está na média 6, um bom índice, considerando que no Brasil a média é de 5,5. Existe importantes investimentos em educação a nível municipal e estadual e promessas de mais investimentos por parte do Governo Federal. Posso prever investimento em implantação de creches e escolas nos bairros mais afastados, como o Jardim São Paulo, que não possui unidades escolares. Uma região da cidade que merece investimentos de toda sorte e poderá ser melhor aproveitada, beneficiando diretamente os moradores de toda a região.

Os planos para educação devem constar das pautas políticas para o ano eleitoral de 2024. Político que insistir em pautas ideológicas em vez de realmente apontar soluções de futuro certamente terá péssimos resultados nas urnas, o que de fato é uma coisa boa. Debates desinteligentes sobre doutrinas políticas precisam perder espaço quando se pensa em futuro. A convergência de pensamentos é uma alternativa contra aventureiros eleitorais que nada agregam no campo de futuro de uma cidade tão importante quanto é Luziânia.

Outra área riquíssima e que ainda não merece a atenção merecida é o turismo. Infelizmente nosso patrimônio histórico tem sofrido com o descaso. Casarões centenários simplesmente desaparecem misteriosamente atrás de muito fogo e fumaça. No futuro imediato, a preservação do que ainda está de pé como patrimônio histórico é essencial para ainda atrair visitantes interessados no nosso facultoso período colonial. Veremos a reforma da nossa Praça das Três Bicas, Praças Evangelino Meireles, Nirson Carneiro Lobo, Gelmires Reis e outras. Criação do Parque Ecológico no distrito do Jardim Ingá. Investimentos em acessibilidade popular aos Lagos Corumbá III e IV e ao parque aquático, hoje de acesso inviável a grande maioria da população da cidade. Incentivos e investimentos em feiras e eventos da indústria, comércio, educação ambiental, eventos esportivos etc.

Na tapeçaria de sonhos que traço sobre o futuro de Luziânia, apenas arranho as infinitas possibilidades. Vamos avançar na inovação tecnológica, saúde pública, desenvolvimento sustentável, segurança, oportunidade de trabalho, políticas públicas e sociais, cultura, esporte e lazer, formação acadêmica e pesquisa científica, parceria pública com a UEG, transporte, logística, infraestrutura e acessibilidade, participação cidadã, aperfeiçoamento de lideranças nos bairros, investimento no aeroporto da cidade, progresso estrutural nas regiões rurais, avanço no comércio do Jardim Ingá, batalhão ambiental e muito mais.

As difíceis previsões de futuro talvez demorem um tempo a chegar, mas chegarão, aguardemos com viva expectativa os novos capítulos da história de nossa Luziânia no alto de seus 277 anos. Vamos alegrar por tudo que já foi feito até aqui e das pessoas que forjaram com muita luta a história de nossa cidade. Talvez eu nem mesmo veja tais avanços que almejo ou até mesmo os retrocessos que também fazem parte de nossas vidas. Mesmo assim sustento o otimismo de que veremos uma nova alvorada chegar sobre nossa cidade e os anos que virão iluminarão nossa cidade quando tudo for novo de novo.


Arley da Cruz - 13.12.2023


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Crônica do Dia – Natureza em dia

 


Natureza. Ela tem um dia; 04 de outubro. O dia da Natureza. Parece algo sem muita importância para a maioria das pessoas ter no calendário um dia para a Natureza. Poderia até ser assim mesmo se ela, a Natureza, não estivesse seriamente ameaçada. É engraçado dizer que a Natureza está sob ameaça. Os que estão ameaçados somos nós, os seres humanos, que somos intrínseca parte da Natureza. Nossa ameaça é mais evidente. Quando um calor de 40 graus está queimando nossas cabeças, passamos a lembrar que existe a natureza. Naquela hora que você se refresca embaixo de uma árvore frondosa e aquele Sol se abranda, lembramos da importância da Natureza.

Um simples gole d’água, em um dia de extremo calor salva nossa vida. Presente da Natureza. Água que, como já disse o poeta, em breve valerá mais que ouro. Já é valiosa demais para bairros da cidade de Luziânia que até hoje, aos 23 anos do século XXI, não são atendidos por água encanada. Isso a 100 metros do Fórum da cidade. Naturalmente, alguém não entende muito da natureza humana e suas necessidades básicas.
Falar sobre Natureza no Dia da Natureza é muito bom. Mas é como se clamasse no deserto. Uma parte imensa das pessoas não refletem sobre a importância da Natureza. Não foram educados assim, nem em casa e menos ainda nas escolas. Muitos professores se esforçam em ajudar as crianças a terem uma consciência ambiental. Escolas de Luziânia já ajudaram a arborizar avenidas e praças. Mas o que aconteceu? Por que não fazem mais assim? Não plantam árvores no Dia da Árvore em Luziânia! Na verdade, cortam e matam belos exemplares.
Muitas vezes me pego pensando em quando Luziânia não tinha gente, quando era somente Natureza. Claro que estou falando dos milhares de anos de outrora. Imagine: como deveria ser lindo o rio que agora chamamos de Rio Vermelho. Consigo pensar naquela água cristalina, cobrindo as pedras do leito do rio e variados peixes e animais aquáticos vivendo tranquilos por ali. As margens com vigorosas árvores, que como diz o salmista, quando estão plantadas no limiar dos rios, vicejam em beleza. Imagine a fauna do lugar. A variedade de animais que deveria haver por aqui. Pássaros de todas as cores e tamanhos. Faço um quadro mental e me animo com a perspectiva.
A Natureza em Luziânia é rica, ainda. Temos muito o que apreciar e celebrar neste Dia da Natureza. Ainda temos muitas áreas arborizadas que teimam em sobreviver, apesar de todos os dias terem agentes do caos que querem eliminar sua existência. Temos um Parque Ecológico em Luziânia e a promessa de décadas de que vão fazer um parecido no distrito do Jardim Ingá. O Rio Vermelho, agoniza. As nascentes, a grande maioria, estão poluídas ou já morreram faz tempo. O lindo Rio Corumbá virou um lago. O Rio São Bartolomeu segue lindo. O Cerrado está acabando. As matas originais estão sumindo aos poucos. A perspectiva não é das melhores.
Em tempos de que a pauta dos governos e pessoas é o que fazer para cuidar dela, da Natureza, Luziânia está sem um direcionamento no tema. Fala-se pouco sobre créditos de carbono, preservação, despoluição, educação ambiental, batalhão de polícia ambiental e os benefícios de possuir uma vibrante atuação nas causas sustentáveis diante de um planeta em crise climática. Luziânia poderia ser um player, um case de sucesso se aproveitasse a proximidade com Brasília para se destacar neste tema. Se tão somente a educação ambiental estivesse em evidência já teríamos material para nos orgulhar.
Dia desses ouvi sobre a ecopsicologia. Conhecida como um campo interdisciplinar e transdisciplinar que se concentra na síntese da ecologia e da psicologia e na promoção da sustentabilidade. Se concentra no estudo do vínculo emocional entre os humanos e a Terra. É a chamada relação do ser humano com a Natureza. Mas nós somos Natureza. Naturalmente nos integramos ao meio e fazemos nosso ambiente. Se você puder plante os pés na terra, tome um banho de chuva, plante uma árvore, sinta o perfume duma flor, sinta a Natureza. Aproveite o Dia da Natureza e faça uma declaração de amor à Natureza e às pessoas.

Arley da Cruz – 04.10.2023

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Crônica do Dia - Sou guia


 Dia desses um colega me chamou de guia turístico de Luziânia. Hoje no Dia do Turismo (27/09) me veio à mente o questionamento: existe guia turístico em Luziânia? Pergunta sincera, existe? Alguém sabe me dizer? Quando fui inculpado de ser um guia, fiquei até feliz em ser confundido com um guia turístico. O motivo é que de vez em sempre faço defesas contra algumas falas que difamam nossa querida cidade de Luziânia. Venho aprendendo com o passar dos anos, com minha vivência e com o ensinamento de vários mestres sobre como nossa cidade é singular. Nossa cidade merece respeito. Citando Lenine: nós temos violência sim, mas também temos beleza, ideias na cabeça e coração. 

Mas falando em Dia do Turismo, vou reformular a inquirição: existe turismo em Luziânia? Quais são os pontos turísticos de Luziânia? Existe disponível, neste momento, um guia, um folheto, um panfleto sobre a parte turística de Luziânia, Jardim Ingá e as regiões rurais da cidade? Existe a alguns anos até uma secretaria de turismo. No Instagram existe um perfil da secretaria de turismo que divulga as imagens da cidade. Merece elogios, mas é muito pouco ainda.

Nossa cidade é preterida no circuito turístico de Goiás e do DF. Apesar, repito, do enorme potencial turístico que temos por aqui. Luziânia está em vias de celebrar 277 anos de história no próximo dia 13 de dezembro. Por isso, em termos de turismo histórico, poderíamos ser a referência do leste goiano nesta particularidade turística. Podemos nos destacar como uma fonte enorme de pesquisa, mas pra isso acontecer teríamos que possuir as condições de receber pesquisadores. Agora imagine que uma pesquisadora de história da UNB chegue por aqui querendo saber sobre a Missão Cruls (A Missão Cruls foram duas expedições realizadas por uma comissão exploradora responsável por avaliar o Planalto Central do Brasil, iniciada em 1892, autorizada pelo Congresso e liderada pelo engenheiro belga Luís Cruls). Que lugar ela deveria visitar? Eu como ‘guia turístico’ iria sugerir a Academia de Letras de Luziânia. Agora, será que vai estar aberta? Não saberia dizer o horário de atendimento e quais os requisitos para realizar uma pesquisa. Já procurei nas redes e é bastante escasso o material sobre a Academia de Letras. Talvez eu convidasse a pesquisadora para tomar um sorvete e depois iríamos procurar o Professor Wilter Campos Coelho para saber sobre a história. Mas se houvesse um atendimento ao turista em Luziânia, ela poderia ser orientada a quem buscar, qual órgão do governo melhor atenderia, se a UEG ou IFG teria as informações, se na Biblioteca Municipal tem o material que ela precisa etc. Veja o potencial para o turismo histórico e de pesquisa na área.

Agora e se chegar uma família querendo visitar as cachoeiras de Luziânia ou mesmo chegar ao parque aquático. Ainda bem que existe o GPS, senão teria muitos problemas na procura. Pelo menos o parque já colocou diversas placas dando a direção para os visitantes. Antigamente haviam diversas placas dando a direção de alguns pontos, restam poucas e depois de décadas, já estão praticamente invisíveis aos turistas. 

Uma sugestão seria realmente construir um CAT em Luziânia (Os Centros de Atendimento ao Turista são responsáveis pela distribuição de dicas sobre atrativos das cidades, sugestões de locais para visitação, roteiros turísticos e esclarecimento de dúvidas). Poderia ser construído bem ali na praça Nirson Carneiro Lobo, ou na Praça Gelmires Reis, ou no Centro Poliesportivo. Um local vistoso, não precisa ser grande, uma arquitetura legal, um ambiente confortável. Ali dentro, um atendimento de excelência com profissionais da área de turismo poderiam receber o visitante. Lá teria fotos e todos os mapas com as atrações turísticas de Luziânia. Folhetos sobre como chegar, rotas, endereço de restaurantes, rede hoteleira, preços e é claro, o contato dos guias turísticos de Luziânia. 

Mas agora já temos guias? Se não tivermos já está passando da hora de formar profissionais nesta área. Gestores, conversem com a UEG, com o IFG e com as escolas profissionalizantes. Incentivem e deem incentivos para a formação acadêmica de profissionais do turismo. A intenção não é somente apontar os erros, é apontar o caminho da solução. Somente nos 5 primeiros meses de 2023, os turistas estrangeiros já gastaram no Brasil mais de 13 bilhões de reais. Quanto dessa bolada nós aqui em Luziânia aproveitamos?

Neste relato eu apenas arranhei as possibilidades turísticas de Luziânia e não sou nem de longe o melhor personagem para falar sobre o tema. Mas não fujo das questões importantes. Gostaria muito de ver nossa cidade movimentada pelo turismo. Seria ótimo para o comércio, os hotéis, as pessoas e a cidade como um todo.

 

Arley da Cruz - 27.09.2023

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Crônica do Dia – O Nosso Cerrado


Nascer no Cerrado deveria ser motivo de muito orgulho. Um nascente ou uma nascente do Cerrado é um rebento de esperança, significa que você é um goiano, mineiro, tocantinense, mato grossense ou sul mato grossense, piauiense, maranhense, baiano ou paulista, de acordo com o ICMBio, ou seja, um nascente do Cerrado. Estes estados representam cerca de 25% de Cerrado dentro do território do Brasil. Em termos de vegetação só perde para a Floresta Amazônica. Amazônia nossa, tão vital para o ecossistema mundial, toma muita atenção que também deveria ser direcionada ao nosso Cerrado. Neste 11 de setembro lembramos o Dia Nacional do Cerrado. É triste observar que uma data tão vital passe despercebida por tantas pessoas que vivem em Luziânia Goiás, a parte central do Cerrado, rota dos imensos reservatórios subterrâneos de água, que aprendemos a chamar de aquíferos. Somos vizinhos da Formação Urucuia que advém da chamada Província São Francisco, são formações de água subterrânea fundamentais para a preservação das águas das diversas bacias fluviais que regam esse Brasilzão. A impressão é de que o Cerrado não é tão verde, as árvores não são tão altas, os animais não são tão vistos, os rios não são tão grandes e por isso passa despercebido pelos olhos das pessoas e dos governos. Faz falta passear pelo Cerrado, ver de perto os rios, a mata, as cachoeiras, as veredas, os animais e a sua exuberante avifauna. Com a falta de incentivos, pouca divulgação, falta de matérias na rede educacional sobre o tema, as pessoas despercebem o quão rico, diverso, lindo e essencial é nosso Cerrado, ou somos nós que somos dele, nós que saímos dele. Já tive a oportunidade de sugerir às autoridades de Luziânia, do estado de Goiás e políticos da esfera nacional sobre a necessidade de criar batalhões de policiamento ambiental em Luziânia e região, melhores parcerias educacionais com IBAMA e ICMBio, visitas de membros do Ministério do Meio Ambiente, cursos técnicos e universitários nas importantes temáticas ambientais, desenvolvimento do turismo ecológico, cumprimento dos objetivos sustentáveis constantes das metas da Agenda 2030 da ONU e diversas outras temáticas que precisam serem observadas por governos e autoridades das esferas, federais, estaduais, municipais, educacionais, jurídicas etc.  Apesar do desprezo de tantos por nossa savana, o Cerrado é fértil e isso é sua principal causa de destruição. Vejo com tristeza imensas áreas de Cerrado desaparecem sem dó na frente de tratores, correntes e ódio pela natureza e aquele amor pelo vil metal daqueles que que enriquecem e destroem e nem empregam tanta gente como alegam. Lembro dos locais donde nós pegavámos pequi, gabiroba, fruta-de-cera, melava o mel da abelha, sem destruir nada, com aquele extrativismo caiçara, raiz, com respeito e carinho pelo Cerrado. Era um tempo de família andando no mato e curtindo cada momento. São palavras do saudoso, o saudoso sofre e sorri ao sofrer com suas lembranças que não mais ão de voltar. Mas esperamos. No nome legal da Rede Luziânia incluímos sustentabilidade. O projeto vai trabalhar esta importante temática e seremos semeadores de projetos e da educação sustentável e da tecnologia e trabalho verde. Esperamos que a tecnologia e a consciência salvaguarde o que resta do Nosso Cerrado, que as pessoas tomem noção dos perigos à frente e que não virem cinzas nossos sonhos nem Nosso Cerrado.

Arley da Cruz – 11.09.2023

FONTE

https://www.redeluziania.com/noticias/cronica-do-dia-o-nosso-cerrado/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

O VILÃO DE SANTA LUZIA


Por Arley da Cruz

Sobrenome é mais importante que o nome. Existe uma força por trás do sobrenome. O prenome que recebemos faz parte de um momento de carinho por parte de nossas mães ou pais. É comum que a mãe nomeie um bebê, mas o pai faz questão do sobrenome. Este tem um tipo de força. Os povos originais do Brasil carregam a força do nome tribal; Tupi, Guarani, Tapuia, Caiapó, Xavante... Infelizmente, a Santa Luzia da marmelada não conservou nenhuma referência dos povos que aqui já habitavam por ocasião da chegada dos sertanistas exploradores de ouro. Nas margens do rio Corumbá viviam os povos Caiapó, não se tem certeza se de fato eram desse ramo familiar ou era apenas uma maneira de referenciar qualquer indígena que os invasores encontravam. A província era conhecida como Goyaz, em referência aos Goyazes, povos originários que estavam a muito tempo por aqui. As poucas referências dos povos originários da então terra de Santa Luzia, ( nomeação atribuída a Antônio Bueno de Azevedo, que por aqui chegou com sua turma em 13 de dezembro de 1746, dia santificado à Santa Luzia pela igreja católica), fazem menção de povos violentos, que com a devida lógica, defendiam suas posições contra invasores. Os Bororós, outra referência de povos originais da região, os tem como mais adeptos aos invasores, ou talvez pelo fato de já os terem escravizados, eram de mais fácil relação.

Pela falta de empatia com os habitantes da região, e com mais de 200 anos de extermínio dos povos originais do Brasil, Luziânia fica devendo referências àqueles que aqui já estavam a muito tempo antes da chegada dos exploradores. É o verdadeiro esquecimento. O artista D.J. Oliveira, em seu (agora alagado) painel I no antigo Largo das Três Bicas, ilustra os talvez Caiapós, uma pequena referência.

Mas Luziânia é tida como uma cidade que tem seus nomes ilustres. A referência é sempre daqueles sobrenomes que já ocuparam cargos políticos. A verdade é que os nomes: Bueno de Azevedo, Freire de Andrada, Mascarenhas, Antunes da Fonseca, Pereira Guimarães, Ribeiro da Silva, Gomes, Carvalho, Ribeiro Costa, Nerva, Valladão, Lisboa, Cunha Teles, Costa Torres, Alvares, Nogueira, Lembria, Sá, Cruz, Miranda, dentre tantos outros, foram se perdendo ou misturando em letras e falta de atenção. Um exemplo é o sobrenome Félix, comum em Luziânia no século XVIII, que se tornou Teles, por erro de cartórios, prática muito comum na época dos escribas. Roriz e Melo aparecem em registros históricos mais remotos. Não é pretensão uma exaustiva e minuciosa pesquisa de genealogias luzianas, mas a certeza de que os nomes que acendem ao poder nem sempre referenciam uma identidade, nem com a antiga Santa Luzia e tampouco com a atual Luziânia.

E o vilão? Bem, nestes 276 anos de Luziânia, em minha crônica anual, decidi resgatar um caso verídico recortado por José Dilermando Meireles, do livro Goiás de Luiz Palacin e de correções de Joseph de Melo Alvares. Luiz Palacin confundiu o fundador de Santa Luzia. No livro História de Santa Luzia de Joseph de Melo Alvares encontramos um episódio interessante da nossa história. O Vilão de Santa Luzia, ou um deles é descrito agora: 

"O juiz ordinário, recebendo queixas reiteradas contra esses celerados que faziam ostentação dos seus vícios e das suas depravações, e considerando que não dispunha de força paga, e que não convinha de modo algum, expor a vida dos paisanos para expurgar o território da sua jurisdição, de gente tão perigosa, acusada de um sem número de crimes contra a honra, a vida e a propriedade, de crimes revestidos de tão hediondas circunstâncias, que revelavam a mais requintada perversidade e degradação moral, de acordo com o seu colega Bueno e outras muitas pessoas com quem se entendeu, expediu uma parada para Vila Boa, levando as ocorrências ao conhecimento do governador e solicitando as providências que elas reclamavam.

No dia 25 de março, pelas 11 horas da manhã, acabava a missa solene da Anunciação de N Sra., e o povo evacuava a capela, quando aparecem inopinadamente nove capangas de Silveira Pinto, e dirigindo-se a um grupo onde estavam dois Oficiais de Justiça, com as divisas do seu oficio, lhes disse que tinham ali vindo para quebrar a vara do juiz ordinário nas costas dele. Avisado o juiz ordinário, que se achava dentro da capela, assomou ele à porta frontal dela e ordenou a prisão dos ousados sediciosos que assim desacatavam a autoridade pública, napessoa dele.

Tão grande era o ânimo da população contra estes perturbadores que sem cessar insultavam-na, que não tinha ainda o juiz ordinário concluído a última palavra da ordem que dava, quando renhida e cruenta luta se travou entre oficiais de justiça, povo e capangas de Silveira Pinto, que no primeiro embate, a parede do frontispício da capela desabou para dentro, levando consigo os lutadores; o sangue espadanou pelas paredes num brado de pragas e blasfimias, que convulso, surdo, rouco e medonho ressoou nas abóbadas da Casa do Senhor e repetido nos ecos foi morrer no baixadão do rio Vermelho.

Silveira Pinto, com o resto da sua gente a cavalo, saía do rancho para o lugar do conflito, mas avistando ao longe uma onda de povo que para o seu lado se dirigia, com berreiros que estrugiam os ares, e considerando o que é o povo em um acesso de furor, o que é o povo indignado e sedento de sangue, receiando que, se essa onda de povo avistada se precipitasse sobre ele, uma nova hecatombe tivesse lugar, pôs-se em debandada pela estrada do norte " ...

Achei interessante trazer a tona essa história do Silveira Pinto. Quase ficou conhecido como descobridor de Santa Luzia, mas na verdade era um bandoleiro. É apenas um exemplo de tantas histórias que temos em nossa já longa trajetória. São 276 anos muito mal contados. São poucos os contadores dessa epopéia luzianiense. Mas este é o método: Esquecer nossa história ou tentar apagar o que há. Cada morador que se vai, cada casarão que deixado a míngua, desaba, incinera e morre. Cada registro oficial que é omitido pelas autoridades, escondidos, como se assim pudessem apagar seu vil nome da história de Luziânia.

Agora vamos construir os próximos capítulos de nossa história. Me apego sim ao passado e não me importo com quaisquer que me critiquem. Temos lembranças memoriais que os incompetentes de agora jamais poderão reproduzir e não poderão também apagar.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Luziânia 275 anos


 

Neste dia 13 de dezembro nossa cidade está completando seus 275 anos. Parabéns. Me pego um tanto cabreiro em escrever minha crônica anual de aniversário. Mesmo assim me ocupo do dever. Sou apenas um rapaz luzianiense sem pix. Nossa cidade está em franco crescimento com uma pandemia no meio. Já estamos entrando no terceiro ano da peste moderna que já matou mais de 616 mil pessoas por aqui com mais de 22 milhões de casos. Parece que morreram todos os que morreriam e nós estamos acostumados com tanta morte. Nada segura a onda da nova normalidade. Máscara ninguém quer mais. Eu fico parecendo um maluco de máscara pela cidade. Vou continuar usando, já me acostumei e acho um bom hábito. A economia respira por aparelhos, mas vaia escapar. Já está calejada de tanto cair e tentar se levantar. A economia brasileira tem costume com gente incompetente. O povo sofre. Fome. Falta de emprego. Pobreza. Desgraça. Mesmo assim, as festas estão voltando com tudo. Ninguém importa, fazer o que. 

E de política. Que coisa mais chata. Quanta cretinice nesse meio. Dá preguiça mesmo. Falo dela por profissão e é isso. Sem nada no horizonte. Eles antigamente tentavam enganar o eleitor com promessas de que pensava neles, isso acabou. Só pensam em si e se elegem falando e fazendo isso. Em Luziânia, o novo é que a inimiga agora é outra e o inimigo é meu ex amigo. Tão piegas. Mas o povo vai brigar por eles e eu vou ficar de cá olhando. 

Sempre gostei das ações da prefeitura em aniversários da cidade. Já tiveram shows, corridas de carro, exposições, teatro e eu sempre gostei de ver. Até gostei de que ao menos se organizaram eventos na cidade. Parabéns. Até corrida de Santa Luzia vai ter. Legal. É isso. Sem empolgação. As pessoas aderem pouco aos festejos da cidade. Tem muito lago e cerveja por aí. Meu lamento é a população não valorizar a idade de Luziânia. 275 ANOS! É muito tempo. Deveria haver uma celebração total. Todo mundo feliz. Celebrando. Aqui não. Não entendo.

Meus parabéns Luziânia. Espero que nossa vida seja feliz, do jeito que dá pra ser. 

Arley da Cruz

sábado, 2 de junho de 2018

Viola nossa viola


A viola faz aquele som que só com um acorde já nos faz chorar. Choro de saudade, saudável saudade. Quem não possui sua música favorita? Sendo brasileiro, bem provavelmente no repertório pessoal deve ter uma moda de viola, bem sentida, bem doida. Sementinha, Franguinho na panela, Saudade de minha terra, Rei do Gado e tantas outras canções que de tão simples em suas melodias nos remetem a tempos memoriais que vivemos ou então que só ouvimos falar, mas mesmo assim, nos toca profundamente. A viola caipira é brasileira. Aquelas dez cordas características são nossas. Existe a grande influência dos alaúdes ibérico-portugues, usados pelos jesuítas no inicio da colonização. Só que aquela influência européia se perde quando o caipira brasileiro, aquele que vivia nos rincões, trabalhava a terra, plantava e colhia e usava o som das 10 cordas para se distrair da labuta do dia, sentado à beira da porta do rancho e mesmo sem nenhum conhecimento técnico, encantava a família com acordes simples. Nota de viola sai até mesmo sem posição no braço. Basta raspar os dedos e já sem tem som para cantar. 


São Paulo, Minas Gerais e Goiás carregam a herança mais genuína da música tocada com a viola caipira. Nestes estados, a vida do campo, nas fazendas de café e gado, ou mesmo em distantes sítios no interior no século 18, consolidou um estilo de vida muito simples, baseado no trabalho agrícola, em que toda a família participava. A recreação do fim do dia era ouvir algum instrumento, como a sanfona, o violão e a viola. Chegando mais pra cá na linha do tempo, encontramos expoentes da música de raiz, a genuína música caipira. Tonico e Tinoco, por volta de 1930, saíram da lida do campo e colocaram a música do interior dentro da casa dos brasileiros. O rádio difundiu uma cultura particular do povo da roça, as pessoas se identificaram com as letras e também com  o ponteio da viola e do violão. A música ‘Tristeza do Jeca’ é datada dos anos 1920, foi cantada pela dupla de irmãos e até hoje faz sucesso e traz aquela sensação de saudade para aqueles que a conhecem de cor.

Violeiros se tornaram grandes artistas de renome nacional com a viola. Renato Andrade (1932-2005) foi um dos mais destacados violeiros do Brasil. Seu estilo era instrumental e serviu de influência para diversos violeiros do passado e do presente, como Almir Sater, Chico Lobo, Pereira da Viola e Marcus Biancardini, goiano e virtuoso da viola caipira. Cantando a música de raiz com a viola, o mais destacado brasileiro é com certeza o Rei do Pagode, Tião Carreiro (1934-1993). Tião Carreiro inventou o "Pagode", ritmo que ousou em criar com base na viola e em seu ponteado particular. As letras de seu “pagode” revelam as particularidades da vida na roça e da labuta diária do caipira, que longe de ser um incapaz e analfabeto, em suas letras revelam homens e mulheres de grande capacidade, subestimados pelos engravatados, ricos e doutores da cidade grande. Podemos ouvir isso em interpretações majestosas de ‘Cavalo enxuto’, ‘O mineiro e o Italiano’, ‘Terra roxa’ e tantas outras canções virtuosas, compostas por pessoas praticamente sem nenhuma instrução escolar, que ainda bem, não estragou sua capacidade de compor com tanta beleza e simplicidade.

Almir Sater trouxe do Mato-Grosso a vivência do Pantanal e das serras dos indígenas sua letras comoventes e que são poesias que nos servem de reflexão, falo de ‘Tocando em frente’, ‘Um violeiro toca’, ‘Terra de sonhos’, na primeira fase como compositor com Paulo Simões. Ele nunca parou no tempo, virou ator de sucesso e volta para a música com a mesma facilidade. 

Em 2015 Almir Sater e Renato Teixeira, outro mestre, lançaram “AR”, disco premiado internacionalmente. Agora podemos ouvir o lançamento de 2018, “+AR”, muito mais música de qualidade e com a eterna viola caipira. Isso sem falar de tantos artistas que já fizeram sua vida tocando viola caipira, como Liu e Léu, Vieira e Vieirinha, Pardinho, Cacique e Pajé, Carreiro e Carreirinho, Belmonte e Amaraí, Daniel, Paraíso, Rolando Boldrin, André e Andrade, Sérgio Reis, Zé Mulato e Cassiano e tantos grandes nomes da música tocada com a viola no peito, pertinho do coração. Quem nunca quis ouvir de novo seu pai, sua mãe, um tio, um primo, um amigo, cantar novamente aquela moda de viola, aquele modão caipira, que só de lembrar dá aquela saudade dentro da gente. Hoje temos tantos estilos diferentes de música, mesmo assim naquela playlist nossa, deve ter uma bela moda de viola, no pen drive, no smartphone, no cd, no DVD, em qualquer mídia, o importante é que ‘tudo é sertão, tudo é paixão, se um violeiro toca. A viola, o violeiro e o amor, se tocam’.

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